sexta-feira, 8 de maio de 2009

O caminho do bem

Como o nome do blog já deixa subentendido, meu nome não é Olga. Sou do bem. E não estou dizendo isso só pra te contrariar e consequentemente persistir no esterótipo "do contra, odeio tudo, vou arrotar na cara da sua avó, o Metal vai vencer". O Metal não vai vencer. Ele sempre perde quando fazemos 16 anos. Mas isso não vem ao caso. Eu sou do bem. Eu não dou tapinha nas costas do garçom pra fingir que sou do povão. Quando preciso dar uma cotovelada em alguém (geralmente alguém que não possa revidar, como mulheres, crianças, cegos e bêbados), eu dou de leve. Sempre que uso o banheiro na casa de alguém, procuro não deixar evidências do que eu estava fazendo lá dentro. Elogio quando alguém faz a comida que estou comendo e é só quando o anfitrião sai de perto que eu rapidamente raspo os pedaços de verdura pro prato da minha namorada. Só falo mal das pessoas por trás, pois sei que ninguém gosta de ouvir ofensas verdadeiras cara a cara. Agradeço, peço desculpas e por favor sempre, mas nunca puxo conversa com quem não conheço pra tentar ser legal, ou só pra quebrar o gelo. Não há nada de errado com o gelo. Só apareço quando convidado, e se não me chamarem ficarei em casa me remoendo especulando os motivos da exclusão, mas elegantemente nunca confessarei ter ficado chateado. Quando me pedem algum favor eu não tenho coragem de negar, mas faço resmungando e com cara azeda pra pessoa aprender a nunca mais contar comigo de novo. E só jogarei na cara os favores prestados caso a situação seja muito propícia. Aliás, quando me pedem um favor, a única coisa que quero em troca é o direito de no futuro jogar na cara. É justo. É prazeroso. É o bem sendo feito. Não finjo ter ficado comovido com a morte de celebridades ou de qualquer outra pessoa que eu não conheça. Todo mundo morre e todo mundo sofre, e me importo com isso na medida em que me afeta, na medida em que quem se foi me faz falta, ou na dor de quem sente me doa também. Caso contrário, paciência. Azar. Deus não tem pena de ninguém, por que eu teria?

7 comentários:

Márcia disse...

Você é mau.

Lavsla disse...

Você é muito mau.

lucy in the sky disse...

Por que tanto ódio no seu coraçãozinho?

Malheiros disse...

Quando você morrer, só sua mãe e a Mel vão sentir.
E talvez o Labanca.

Zora disse...

Lua em Capricórnio.

Anônimo disse...

fantastico! é um excerto da sua monografia?
vc captou mto bem esse nosso lado mau que tentamos abafar com comentarios simpaticos. principalmente sobre a morte. eu me lembro claramente de duas vezes que me comunicaram a morte de alguem, e eu fiz cara de triste, pensando "ainda bem que eu nao gostava muito dele"...
força, fera!
LP

Artur disse...
Este comentário foi removido pelo autor.